O Arauto

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domingo, abril 20, 2008

Navio chinês com armas para Harare navega em direcção a Luanda

Navio chinês com armas para Harare navega em direcção a LuandaO navio chinês, que transporta armas para o governo do Zimbabué, e queestava ancorado ao largo de Durban, na África do Sul, navega em direcção aAngola onde espera conseguir aportar, segundo o ministro dos Transportesmoçambicano.O navio abandonou águas sul-africanas sexta-feira depois de um tribunal de Durban ter recusado que as armas fossem transportadas através do país, para o Zimbabué, refere hoje a SW Radio Africa, uma rádio independentezimbabueana de ondas curtas, citada pelo serviço de notícias on-lineAllAfrica.com.
Segundo a AllAfrica.com, o ministro dos Transportes e Comunicações deMoçambique, Paulo Zucula, disse à Reuters que Maputo tem estado atento aosmovimentos do navio, desde que zarpou do porto sul-africano."Sabemos que o registo do seu próximo destino explicita Luanda porque nãopermitimos que penetrasse em águas moçambicanas sem diligências prévias",disse.O navio "Na Yue Jiang" estava ancorado ao largo do porto de Durban des desegunda-feira.
O comandante foi informado sexta-feira de que um tribunal de Durbanproibiu o transporte dos seis contentores de armas e munições para oZimbabué através de território sul-africano, tendo decidido partir comdestino incerto.
A cadeia televisiva norte-americana CNN avançou por seu lado que, segundoo Departamento Sul-africano de Transportes, o navio tem como destino oporto de Luanda.
Entre as armas transportadas, encontram-se milhões de munições de várioscalibres, com predominância do calibre utilizado nas espingardasautomáticas AK-47, RPG (morteiros com auto-propulsão) e granadas demorteiro.
Nos últimos dois dias, a generalidade da comunicação social tem dadodestaque ao "Na Yue Jiang", uma vez que a ausência de resultados daseleições presidenciais zimbabueanas de 29 de Março ameaça mergulhar toda aregião numa grave crise.

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sábado, abril 19, 2008

A UNITA está satisfeita? Quem diria...

O presidente da UNITA disse recentemente em entrevista ao jornalista Paulo Guilherme Figueiredo, da Lusa, que acredita que as eleições legislativas angolanas de Setembro serão livres e justas. Ainda bem (digo eu) que as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas. Isto quer dizer que a UNITA está satisfeita com o processo eleitoral em curso. Ainda bem (digo eu) que as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas. Isto quer dizer que o Governo está a cumprir (?) à letra o estabelecido na Lei Eleitoral vigente na República de Angola.
Só espero que daqui a algumas semanas, meses ou às vésperas dos resultados eleitorais, Isaías Samakuva não nos venha dizer que tais declarações foram feitas sob coacção do MPLA que na altura (vá-se lá saber!) tinha uma pistola apontada à sua cabeça.
Só espero que o líder do Galo Negro não diga daqui a algumas semanas, meses ou às vésperas dos resultados eleitorais, que o jornalista Paulo Guilherme Figueiredo, da Lusa, manipulou as suas palavras. E assim espero porque, quanto a mim, nem tudo está a correr como deve ser no processo de preparação das próximas eleições.
E o presidente do segundo maior partido angolano sabe disso ou pelo menos tinha de saber. O líder do Galo Negro sabe tanto quanto eu (ou quiçá melhor) que os Magistrados Judiciais que fazem parte da Comissão Nacional de Eleições CNE) continuam a exercer as funções de juízes (mesmo assim as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!).
O facto de os Magistrados Judiciais que estão na CNE não se terem demitido das funções de juízes constitui uma grosseira violação do artigo 131 da Lei Constitucional vigente na República de Angola, que “estabelece que os juízes não podem desempenhar qualquer outra função pública ou privada, excepto a de docência ou de investigação cientifica (sic!)” (mesmo assim as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!).
O facto de os Magistrados Judiciais que estão na CNE não se terem afastado das funções de juízes significa que o órgão eleitoral de que fazem parte não é uma instituição na qual se possa confiar uma vez que parte dos seus membros desrespeitam as leis (mesmo assim as eleições de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!).
O facto de os Magistrados Judiciais que estão na CNE não se terem destituído das funções de juízes significa dizer, à partida, que durante as próximas eleições poderão desrepeitar impunemente a Lei Eleitoral (mesmo assim as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!). Das duas uma. Ou Isaías Samakuva quer atirar areia para os olhos dos militantes do seu partido ou a UNITA está a querer ser cínica com os angolanos.

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Moçambique sem rei nem roque

O correspondente do “Savana” na província de Manica revela, na última edição do referido semanário, que o procurador distrital de Gondola fez (bem ao estilo do quero-posso-(des)mando e nada me acontece!) Justiça pelas suas próprias mãos deixando bem claro para quem ainda tinha dúvidas de que em algumas (mas quase todas) as regiões do interior do País são terra "sem rei nem roque" onde impera o desmando, onde o Estado, enquanto pessoa colectiva, só se faz sentir quando se trata de reprimir o(s)moçambicano(s) descamisado(s).
O jornalista André Catueira conta na sua peça que Pompílio Xavier “espancou gravemente na madrugada do último sábado um cidadão de nome Rassul Gimo, 28 anos, por este ter mantido relações amorosas com uma prostituta zimbabueana (sic!)” com quem o magistrado mantém alegadamente uma “amizade colorida”.
Ora não é a primeira que magistrados do Ministério Público arrastam o nome da Justiça e do Estado moçambicana para a lama. O primeiro caso - cabeludo diga-se de passagem, que deixou o País boquiaberto - envolvia o nome do Digníssimo Procurador Augusto Paulino num suposto descaminho de milhões de meticais, agora chegam notícias que nos dão conta que Pompílio Xavier tirou a camisa e, qual Mike Tyson, enfiou uns valentes sopapos a um inerme cidadão por causa de uma meretriz.
O clima de suspeição que recentemente se levantou em torno do nome de Augusto Paulino — além de colocar em causa a sua idoneidade moral — não só deixa ficar mal o homem, mas sim a Justiça moçambicana.
O comportamento de Pompilio Xavier não põe apenas em causa o bom (?) nome do Digníssimo procurador, mas sim o Estado moçambicano que os homens da Pereira Lago (sede da FRELIMO, partido no poder) dizem ser de Direito democrático.
É evidente que com procurados (sejam eles judiciais ou do Ministério Público) assim, é caso para dizer Justiça para que te quero em Moçambique.
É claro que procuradores (sejam eles judiciais ou do Ministério Público) com este nível, vale perguntar se adianta acreditar na Justiça moçambicana.

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A ladainha do combate à pobreza em Moçambique

Por falta de um argumento convincente e plausível, os políticos moçambicanos (alguns mas quase todos) transformaram a ladainha do “combate à pobreza absoluta (sic!)” na sua mais recente e predilecta canção que, convém dizê-lo, já cansa o ouvido e (sem querer querendo) abusa da paciência do soberano dos soberanos (o Povo) desta antiga colónia portuguesa onde apenas 8, 8 por cento da população fala português como deve ser e o resto lida com ela de forma tão cruel ao ponto de fazer José Maria Relvas andar às voltas na tumba onde se encontra e deixar insignes filólogos como Celso Cunha e Lindley Cintra indispostos “dia sim - dia também”.
Enquanto arregaçam mangas para a luta contra a miséria, os políticos moçambicanos ignoram que a pobreza franciscana que impera no País vai apanhá-los com as calças na mão e infligi-los uma copiosa derrota sem igual na História de Moçambique hodierno. E tal vai acontecer por que os políticos moçambicanos entendem que, salvo melhor opinião, a pobreza deve ser combatida com sacos de arroz, maços de dólares ou euros doados por países asiáticos, europeus ou ainda americanos.
Ignoram (?) os políticos moçambicanos que só se poderá dar à volta à pobreza absoluta quando o País tiver recursos humanos qualificados à altura das necessidades prementes que, na escala das prioridades políticas, poderão guindar Moçambique ao patamar dos Países de Desenvolvimento Médio.
O chanceler japonês, Mashiko Komura, em declarações à imprensa, afirmou que para melhorar a situação da pobreza é necessário actuar sobre as áreas da Saúde, Educação e garantir o acesso à água.
Será que os políticos moçambicanos (todos eles têm três refeições por dia, noves-fora os lanches) sabem quantos cidadãos não têm acesso à Saúde no País? Creio que poucos, muito poucos mesmo.
Será que os políticos moçambicanos (muitos deles são um problema para a solução e não uma solução para o problema da pobreza absoluta) sabem quantos cidadãos não têm acesso à Educação no País? Creio que poucos, muito poucos mesmo.
Será que os políticos moçambicanos (entre eles há quem queira que essa situação se perpetue) podem dizer quantos cidadãos do Rovuma ao Maputo só têm acesso à água? Creio que poucos, muito poucos mesmo.

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Seis anos de consolidação da mediocridade

O aperto de mão sincero entre os generais Armando da Cruz Neto e Geraldo Abreu "Kamorteiro", responsáveis máximos das Forças Armadas Angolanas (FAA - Governo) e das Forças de Libertação de Angola (FALA - UNITA), na manhã de 04 de Abril de 2002, no Palácio dos Congressos, em Luanda, selou o Acordo de Paz que colocou um ponto final à guerra fratricida que durante 27 anos ceifou vidas (não foram poucas), provocou dor (indescritível), luto (a côr preta era uma constante na nossa indumentária), separou irmãos (muitos tiveram que abandonar o País), provocou feridas, que ainda sangram, e cicatrizes, que ainda doem.
Passados cinco anos + um era suposto possível e desejável Angola ter Justiça, Trabalho e Paz, tolerância, mais oportunidades, menos violência, confusão entre o partido (no poder) e o Estado.
Por isso, estes cinco anos + um de paz representam, para mim, a consolidação da mediocridade e do culto de personalidade.
Eu explico: o MPLA é um tigre de papel que proclama a sua tigritude de Cabinda ao Cunene, na região austral do nosso continente e no mundo, sem saber em quê que deve assentar o desenvolvimento (e não crescimento) de Angola.
Pessoalmente não conheço nenhuma ideia estratégica do MPLA (muito menos do Galo Negro) para desenvolver o País no que tange à vida económica e social. Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, sei, verbis gratia, que a ascensão no partido no poder não depende da competência técnica ou intelectual, mas sim da frequência com que se adula José Eduardo dos Santos.
Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, sei que o conhecimento técnico e cientifico não contam, o que conta é a subserviência.
Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, sei que determinados assessores da Presidência da República e alguns (mas quase todos) membros do MPLA aos poucos vão José Eduardo dos Santos com elogios cínicos quando pode(ria)m salvá-lo com críticas sinceras, frontais e camaradas.
Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, apraz-me dizer que o País poderá dar um salto qualitativo quando o MPLA estiver na oposição. Aí sim, quero crer, os angolanos poderão conhecer dias melhores. Quem não crê que se levante e atire a primeira pedra.

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sexta-feira, abril 18, 2008

E as crianças, senhores donos do poder em Luanda?

Duas crianças e dez mulheres encontram-se sob os escombros do edifício-sede da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DINI) que, qual castelo de baralho de cartas, desabou na madrugada de sábado último na capital angolana. Aquando do incidente, do edifício com sete andares que vitimou até agora três pessoas, encontravam-se nas instalações da DNIC, 181 detidos.
Entre os detidos havia (o que não cabe nem um pouco mais ou menos na minha cabeça nem na de ninguém que tenha dois palmos de testa e amor ao próximo) uma criança com menos de sete dias de vida, outra com menos de cinco e uma mulher grávida.
Será que quando na sexta-feira (um dia antes do desabamento) o Procurador-Geral da República, José Maria de Sousa, visitou a DNIC não soube da existência de uma criança recém-nascida, não a viu? Não acredito.
Será que o Digníssimo Magistrado não soube que havia uma mulher grávida nos calabouços daquele órgão para militar? Não acredito.
Qual terá sido o crime do recém-nascido e da mulher grávida que, até ao presente momento, se encontram debaixo dos escombros do prédio da DNIC? Bem, o que se poderá dizer é que, neste caso, as autoridades terão feito tábua rasa à Lei da Prisão Preventiva e Instrução Preparatória vigente na República de Angola e pisoteado sem dó nem piedade os Direitos Fundamentais dos cidadãos em causa.

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Tal como em Portugal, Angola precisa de alternativas

O antigo alto-comissário português para Imigração manifestou recentemente em Lisboa a intenção de criar um novo partido político que ideologicamente se vai situar ao centro entre o Partido Socialista ( PS) — o tal que (des) manda nas ocidentais praias lusitanas onde quando se quer esticar os braços um vai dar a Espanha e o outro ao mar devido a sua pequenez territorial — e o Partido Social Democrata (PSD).O mentor do referido projecto político, Rui Marques, de seu nome, revelou que o partido chamar-se-á "Movimento Esperança Portugal" e deverá concorrer às europeias de 2009.
Rui Marques é, digo por minha conta e assumo o risco, o paradigma de um (bom) cidadão, português, no caso, que quer devolver aos seus compatriotas a esperança de voltar a acreditar nos partidos políticos e na política luso. É evidente que o surgimento de um novo partido na cena política lusa vai levar segura e garantidamente os portugueses a sentirem-se encantados da vida.
Ora encantado também sentir-me-ia se em Angola surgisse um partido de tipo novo que ideologicamente se situasse entre o MPLA e a UNITA (pois já deu para ver aos longo de mais de 30 anos que os dois são farinhas do mesmo saco e bananas do mesmo cacho, o primeiro faz asneira e o segundo besetira).
O MPLA e a UNITA induzem, em conluio, os angolanos (alguns mas quase todos) a pensar que um partido político não é uma pessoa jurídica de Direito Privado que, no sentido moderno da palavra, pode ser definido como uma união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizado nos princípios de hierarquia e disciplina.
Contrariamente ao que era suposto, possível e desejável, os angolanos (alguns mas quase todos) são induzidos a filiarem-se aos partidos político para garantir um tacho numa empresa pública, Minitério ou ainda em casa do jardineiro do jardineiro do estafeta do membro partido.
Hoje, filiar-se a um partido político (de preferência ao MPLA ou a UNITA) é, digo eu, a melhor forma de se tornar autista esquizofrénico, embalando num processo de desprezo suicida pelas necessidades, expectativas e aspirações das massas mais desfavorecidas.
Hoje, filiar-se a um partido político (de preferência ao MPLA ou a UNITA) é, digo eu, a melhor forma para se ser exibicionista, fascista, arrogante, tradicionalista, boçal, populista, demagogo, racista e tribalista.

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Dois amigos eternos: Alto Hama e Pululu

O “Alto Hama” (http://altohama.blogspot.com), do companheiro, amigo e jornalista Orlando Castro, é o café (a única droga socialmente aceitável neste mundo que cada vez se confunde com Sodoma e Gomorra) quente e saboroso que me desperta quando a noite começa a vestir-se de branco. “O Pululu” (http://pululu.blogspot.com), do não menos companheiro, amigo e académico Eugénio Costa Almeida, é o cigarro (estou careca de saber que faz mal à Saúde) que aquece e ajuda a avivar o disco duro da memória das minhas memórias. Até ao momento em que redigia esta crónica, o “Alto Hama” (nascido em 2006) tinha sido “picado” 083.734 leitores e, por seu lado, “O Pululu” (nascido em 2004) tinha sido visitado por 159.752 leitores de distintas partes do mundo.

É evidente que, com muito gosto e honra, me incluo no número de leitores que “picam” estes dois espaços de referência obrigatória do mundo da bloguesfera. São dois espaços incontornáveis quando o assunto é actualidade lusófona e não só. Não leio o “Alto Hama” e “O Pululu” por causa da fleuma e da indulgente amizade (espero que dure por longos anos) que mantenho com O Orlando Castro e O Eugénio Costa Almeida.

Leio estes dois blogues por encontrar neles brilhantes ideias e com as quais me identifico e cauciono. No “Alto Hama” e n’ “O Pululu” encontro invariavelmente resposta à minha dor de patriota que assiste (im)potente ao esbulho da minha Pátria.

Fui, e continuo a ser , incompreendido por aqueles que se julgam angolanos de primeira. No “Alto Hama” e n’ “O Pululu” Orlando Castro e Eugénio Costa Almeida fazem ecoar o seu grito de raiva de revolucionários que, a dado momento de um passado recente, procuraram a revolução para fazer progredir social, económica e academicamente o País (Angola) que ocupa um lugar especial no lado direito dos seus peitos.

Foram, e continuam a ser, incompreendidos por aqueles que julgam que para ser angolano tem necessaria e obrigatoriamente que se ser negro. No “Alto Hama” e n’ “O Pululu” Orlando Castro e Eugénio Costa Almeida fazem ecoar o grito militarista de quem procurou o exército e que não encontrou. E não encontraram por serem homens de Paz. Não encontraram por serem homens de ideias e terem o verbo na ponta da língua. Não encontraram por terem a caneta como arma de combate para induzir quem de Direito a proporcionar dias de mais pão, sol, amor e paz aos angolanos.

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Kundy Pahiama deveria (entre outras coisas) beber menos

O ministro da Defesa angolano, para quem os cães são mais importantes que o Povo, afirmou, recentemente em declarações à Luanda Antena Comercial (LAC), que o Galo Negro mantém armas escondidas (aonde?) e que alguns dos seus dirigentes (quais?) têm o objectivo de voltar à guerra. As afirmações de Kundy Pahiama — o tal que come, vive (às custas do Povo que insulta e humilha, pois claro!) e dorme bem (?) - colocam em perigo o processo de paz e de estabilização que, bem ou mal, Angola vive presentemente.

As declarações de Kundy Pahiama deixam inseguros todos os angolanos, e não só, que gostariam de viver sem medo num País sem medo, (mais) seguro,
(mais) aberto, (mais) plural e politicamente (mais) tolerante à luz da tácita promessa parida a 22 de Fevereiro de 2002.

Se eu fosse do MPLA, à pala da Paz, da Estabilidade e da Democracia, exigiria a quem de Direito (ao presidente Eduardo dos Santos, no caso) que não mais deixasse o ministro da Defesa falar publicamente. Porquê? Porque nos últimos tempos quando o ministro abre a boca... ouvimos o que ouvimos.

Se eu fosse da UNITA, juro e trejuro, que, à pala da Paz, da Estabilidade e da Democracia, processaria sem pestanejar o ministro da Defesa.
Processava-o no sentido de pressioná-lo a revelar onde se encontram escondidas as armas de que fala.

Se eu fosse do Galo Negro, juro e trejuro, que, à pala da Paz, da Estabilidade e da Democracia, apresentaria uma queixa-crime contra o ministro da Defesa no sentido deste revelar em sede própria (Tribunal) os nomes dos dirigentes do partido fundado por Jonas Savimbi que pretendem
(?) voltar à guerra.

Ora não sendo nem do MPLA nem da UNITA, limitar-me-ei a falar (escrever) simplesmente como angolano que ama, sente e quer Paz, Estabilidade e Democracia em Angola.

Quero recomendar, por esta via, que de doravante Kundy Pahiama passe a beber menos vinho à hora da refeição. Quero recomendar que alguém o acompanhe à Psiquiatria para ver se está ou não bom da cuca (leia-se cabeça), de molde a evitar que atire palavras a esmo que, para além de ferirem os nossos ouvidos, ofendem os angolanos no corpo e na alma.

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Querem decapitar a Imprensa livre


Os espadachins do regime, quiçá tendo em atenção as eleições que serão realizadas em Setembro próximo, já começaram a desembainhar as suas espadas e a esgrimi-las contra (tudo e) todos aqueles que lutam para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente na Pátria de Agostinho Neto.


Enquanto uns lutam (são muito poucos) para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente em Angola, outros (não são poucos) esfolam mãos e joelhos para apagar a chama da liberdade, desconstruir a democracia (in)existente e pensar demorada e denodadamente como estragar a vida dos amantes das Liberdades de Expressão e de Imprensa.


A atestar isso está a recente prisão ilegal de Graça Campos, jornalista e director do Semanário Angolense, em decorrência de um processo-crime instaurado por um papalvo que se deixou usar pelo regime, e a chamada, quinta-feira última, de William Tonet, jornalista e director do bissemanário Folha 8, ao quinto andar da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), em virtude de uma queixa-crime apresentada por Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa), futuro ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República, José Maria, chefe da Contra Inteligência Militar, e Hélder Pita Gróz, director da Policia Judiciária Militar. Fiquei a saber, por exemplo, que o hebdomadário “O Independente”, que já tinha sido “morto” e “enterrado”, acabou de “ressuscitar”.


O jornal ressurgiu para fazer acusações graves a William Tonet. Diz o jornal que Tonet acaparou-se de quatro milhões de dólares que o Comando Geral da Polícia havia disponibilizado para que a empresa do jornalista construísse uns tantos jangos na ilha do Mussulo. Escreve o semanário que Tonet tem usado tal dinheiro para tratar-se, no Brasil, dos vírus do VIH/Sida, de que é portador há mais de cinco anos. Vamos por partes. Hélder Vieira Dias (Kopelipa), José Maria e Hélder Pita Gróz estão no seu Direito de processar William Tonet, mas tenho a certeza absoluta que estão era (é) a vontade destes generais. A verdadeira vontade destes homens de mão de José Eduardo dos Santos (estão a semear vento, meus senhores...) é a de enfiar um tiro bem rosto do director do Folha8.


E porquê que eles fariam isso? Porque sei que Kopelipa, Zé Maria e Pita Gróz são homens que já mostraram, por palavras, actos e omissões, uma manifesta e inapta capacidade para lidar com valores como Democracia, Tolerância Política, Liberdade de Imprensa, de Expressão e são contra o exercício aberto e plural da cidadania. Sei que a estes três homens apetece dar um tiro a William Tonet por ele ser um jornalista que chama as coisas pelos próprios nomes e enfrenta de peito aberto os maus ventos e as péssimas marés que vão tendo lugar em Angola.


Apetece-lhes tirar a vida do director do Folha 8 pelo facto de William Tonet não ser um homem de meter o rabinho entre as pernas quando sopra uma brisa ou quando as ondas estão mais altas. Mesmo quando ameaçado física, moral e mortalmente como agora.

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Se foi um mal que veio por bem, o bem demora a chegar

O termo da existência de Jonas Savimbi, permitam-me ser politicamente (in) correcto (porque a História assim exige e as mais recentes evidências quotidianas dos factos assim aconselham), foi um mal que veio para bem. Um mal (claro que não se deseja a morte de ninguém nem a ninguém!) que veio para bem na medida em que deixou a nu a manifesta e inapta capacidade do MPLA para lidar com valores como a democracia, tolerância política, liberdade e cidadania.

O desaparecimento do líder e fundador da UNITA foi um mal que veio para bem porque mostrou que quem governa está impreparado para dirigir uma Angola sem guerra.

A morte do velho guerrilheiro foi um mal que veio para bem porque deixou o MPLA numa posição bastante incomoda em que dá a entender claramente que o Governo está de tanga (e para um Governo de tanga, uma tanga de Governo!).

A aniquilação de Jonas Savimbi, o homem que durante muitos anos deu à volta politicamente ao mundo inteiro, mostrou que o MPLA não tem nem nunca teve uma agenda social para o período do pós-guerra.

Passados seis anos desde que a UNITA foi capitulada e o seu líder morto, ainda não é possível dizer alto e bom som “olhe, isto (Angola) aqui está muito bom; isto aqui está bom demais”.

As matreirices políticas de Jonas Savimbi e os actos de sabotagem, de todo o género, por parte das forças militares da UNITA deixaram de ser um pretexto para que não se dê, pelo menos isso, água, pão, habitação, educação e saúde aos cidadãos-eleitores e contribuintes angolanos.

Até quando?


*Texto inicialmente publicado no NL

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